Categoria: ENTRELINHAS DA ALMA

Entrelinhas da Alma é onde eu deposito o que escorre das minhas madrugadas com Deus.
São palavras nascidas quando a casa silencia, o corpo cansa e a alma, enfim, fala.
Nem sempre são respostas — muitas vezes são lágrimas, perguntas, suspiros e pequenos acordos feitos no escuro.
Aqui escrevo o que não cabe em ensino, o que não pede púlpito.
Escrevo o que sobra depois da oração, o que permanece quando tudo se aquieta.
É o sumo do secreto, colhido entre vigílias, Bíblia aberta, coração exposto e fé em processo.
Se você ler, leia com respeito
Essas linhas não foram pensadas para convencer, mas para permanecer.
São rastros de encontro.
E, às vezes, Deus passa exatamente por aqui.

  • Madrugada com Deus

    5h30 — Doce é a Tua Presença

    A chuva cai fina lá fora, quase como um sussurro. O mundo ainda dorme, mas minha alma está desperta. Estou aqui desde antes das 4h, sentada à presença de Deus, sem pressa, sem ruído.

    Li Jeremias dos capítulos 11 ao 21. Textos pesados, cheios de confrontos, dores, avisos e lágrimas. Um profeta fiel, cansado, rejeitado, perseguido, mas que não consegue deixar de falar o que Deus manda dizer. Jeremias sente na pele o peso da obediência — e, ainda assim, permanece.

    Enquanto lia, percebi que Deus não romantiza o chamado. Ele mostra a verdade: obedecer custa. Falar a verdade dói. Permanecer fiel, muitas vezes, significa caminhar sozinho. Jeremias chorou, reclamou, quis desistir… mas não abandonou o Senhor. E o Senhor também não o abandonou.

    Nesta madrugada, entendi que Deus vê os que permanecem quando ninguém está olhando. Vê os que choram enquanto obedecem. Vê os que leem, oram e ficam — mesmo cansados, mesmo feridos.

    A chuva continua lá fora. Aqui dentro, Deus fala baixo, mas com firmeza.

    E eu fico.

    Porque estar na presença, de madrugada, ainda é o lugar mais seguro da minha alma.

  • Entrelinhas da alma

    Entrelinhas da alma

    Hoje não me levantei de madrugada. O sol nasceu sem que eu tivesse entregado minha oferta de adoração ao Senhor, e meu coração desfalece. Não porque Ele precise de minha devoção — não, Deus não precisa. Mas eu preciso Dele… miseravelmente.

    Preciso sentir Sua presença antes de qualquer luz tocar a terra. Preciso do calor do Seu olhar antes de qualquer amanhecer. Preciso do som silencioso da Sua voz para aquietar minha alma inquieta.

    E ainda assim, Ele me espera, paciente. Ele não se afasta por minha falha, não se esgota diante da minha fraqueza. Ele permanece, majestoso e insondável, sustentando cada respiração minha.

    E eu sei, mesmo que minhas mãos não tenham se erguido, mesmo que minhas preces tenham tropeçado, que meu coração encontra descanso só n’Ele. Só n’Ele encontro tudo o que sou e tudo o que preciso ser.